Crítica: Sueño Florianópolis | Cinematecando

Posted On 15/11/2018 By In Críticas - Lançamentos, Filmes

Crítica: Sueño Florianópolis

Caminho para a autodescoberta

sueño florianopolis critica

Em meio a produções que nos jogam na cara doses generosas de efeitos especiais, sequências de tirar o fôlego e overdose de personagens feitos com CGI, chega a causar estranheza quando nos deparamos com tramas simples, que parecem ser histórias dos nossos cotidianos ou de parentes nossos que viveram há muitos anos.

Esta é a sensação que se tem a assistir a Sueño Florianópolis, coprodução brasileira e argentina dirigida por Ana Katz. A trama retrata a jornada de um casal divorciado que, em meio à desagregação, decide viajar a Florianópolis com os filhos em pleno verão de 1990. E este é o ponto de partida para uma série de situações que fazem os envolvidos colocarem as suas vidas e relações familiares em perspectiva.

Os psicanalistas Lucrecia (Mercedes Morán, de Família Submersa e O Anjo) e Pedro (Gustavo Garzón) estão em processo de divórcio, mas mantêm relação amigável e pacífica a ponto de decidirem viajar com os filhos, Florencia (Manuela Martinez) e Julián (Joaquin Garzón), a Florianópolis em um carro velho.

Já em solo brasileiro, a família encontra o bon vivant Marco (Marco Ricca), sarcasticamente chamado de “Sunga” por Pedro durante a trama, e Larissa (Andréa Beltrão), dupla que se relacionou no passado.

Se a dinâmica entre os personagens aparentava ser marcada por amenidades no primeiro momento, a história passa a ser outra com o desenrolar da trama graças às díspares personalidades das pessoas envolvidas. Marco, adepto de estilo de vida no qual são indispensáveis a boemia, a cervejinha cotidiana e a sunga obrigatória no traje – daí vem o apelido dado por Pedro -, serve como dínamo à relação entre Lucrecia e o ex-marido.

Como em um efeito-dominó, Pedro parece tentar ensaiar uma espécie de reconciliação com a ex-esposa enquanto se torna próximo de Larissa, ao passo que Julián quer estar livre em relação aos pais e Flor tenta disfarçar o vazio existencial por meio de amores de verão que dificilmente subirão a serra – neste caso, com César (Cario Horowicz). O comportamento da filha, inclusive, serve como pano de fundo para uma das cenas mais psicologicamente fortes do filme.

Enquanto tentam lidar com as desventuras da já desgastada relação, Pedro e Lucrecia procuram entender o que deu errado na relação de 22 anos deles e compreender a si próprios. Para completar, eles acabam sendo obrigados a praticar a autoanálise por verem que seus pacientes, um casal desajustado, está também curtindo férias em Florianópolis.

O grande recado de Sueño Florianópolis é mostrar que pode ser possível contar histórias complexas em situações cotidianas e triviais, ainda mais com toques de humor – ora intencional, ora involuntário – e dramáticas, por meio de crises existenciais e questionamentos sobre como relações pessoais são idealizadas e como podem adotar novas dinâmicas. Isso sem contar que ainda proporciona o ingrediente nostálgico do passado por meio de elementos cenográficos típicos dos anos 1990.

Caminho para a autodescoberta Em meio a produções que nos jogam na cara doses generosas de efeitos especiais, sequências de tirar o fôlego e overdose de personagens feitos com CGI, chega a causar estranheza quando nos deparamos com tramas simples, que parecem ser histórias dos nossos cotidianos ou de parentes nossos que viveram há muitos anos. Esta é a sensação que se tem a assistir a Sueño Florianópolis, coprodução brasileira e argentina dirigida por Ana Katz. A trama retrata a jornada de um casal divorciado que, em meio à desagregação, decide viajar a Florianópolis com os filhos em pleno verão de 1990. E este é o ponto de partida para uma série de situações que fazem os envolvidos colocarem as suas vidas e relações familiares em perspectiva. Os psicanalistas Lucrecia (Mercedes Morán, de Família Submersa e O Anjo) e Pedro (Gustavo Garzón) estão em processo de divórcio, mas mantêm relação amigável e pacífica a ponto de decidirem viajar com os filhos, Florencia (Manuela Martinez) e Julián (Joaquin Garzón), a Florianópolis em um carro velho. Já em solo brasileiro, a família encontra o bon vivant Marco (Marco Ricca), sarcasticamente chamado de “Sunga” por Pedro durante a trama, e Larissa (Andréa Beltrão), dupla que se relacionou no passado. Se a dinâmica entre os personagens aparentava ser marcada por amenidades no primeiro momento, a história passa a ser outra com o desenrolar da trama graças às díspares personalidades das pessoas envolvidas. Marco, adepto de estilo de vida no qual são indispensáveis a boemia, a cervejinha cotidiana e a sunga obrigatória no traje - daí vem o apelido dado por Pedro -, serve como dínamo à relação entre Lucrecia e o ex-marido. Como em um efeito-dominó, Pedro parece tentar ensaiar uma espécie de reconciliação com a ex-esposa enquanto se torna próximo de Larissa, ao passo que Julián quer estar livre em relação aos pais e Flor tenta disfarçar o vazio existencial por meio de amores de verão que dificilmente subirão a serra - neste caso, com César (Cario Horowicz). O comportamento da filha, inclusive, serve como pano de fundo para uma das cenas mais psicologicamente fortes do filme. Enquanto tentam lidar com as desventuras da já desgastada relação, Pedro e Lucrecia procuram entender o que deu errado na relação de 22 anos deles e compreender a si próprios. Para completar, eles acabam sendo obrigados a praticar a autoanálise por verem que seus pacientes, um casal desajustado, está também curtindo férias em Florianópolis. O grande recado de Sueño Florianópolis é mostrar que pode ser possível contar histórias complexas em situações cotidianas e triviais, ainda mais com toques de humor - ora intencional, ora involuntário - e dramáticas, por meio de crises existenciais e questionamentos sobre como relações pessoais são idealizadas e como podem adotar novas dinâmicas. Isso sem contar que ainda proporciona o ingrediente nostálgico do passado por meio de elementos cenográficos típicos dos anos 1990.

Sueño Florianópolis

Cotação

Bom

O filme é lento em alguns momentos, mas tem como grande mérito contar histórias complexas com leveza e proximidade com o cotidiano do espectador

60

Jornalista. Cinéfilo, crítico cultural wannabe e interessado por assuntos relativos a esportes, direitos humanos e minorias. Foi redator de cinema do Yahoo por um ano.