Crítica: Tal Pai, Tal Filha | Cinematecando

Posted On 06/08/2018 By In Cine Netflix, Críticas - Lançamentos, Filmes

Crítica: Tal Pai, Tal Filha

Comédia original Netflix é propaganda de cruzeiro para passar na Sessão da Tarde

Imagem do filme 'Tal Pai, Tal Filha'

A primeira vez que percebi merchandising em um filme eu tinha 12 anos. Foi naquela crise existencial de Forrest Gump em que o personagem vivido por Tom Hanks calçava seu par de tênis Nike e corria sem rumo por semanas.

Naquela época eu não tinha a menor ideia de quanto custava fazer um filme, de como funcionava a indústria do cinema e nem de que um dia trabalharia com “branded content” – que é a junção de conteúdo e publicidade.

Diante da TV, com aquele filme rodando no videocassete (era assim que assistíamos aos lançamentos, crianças), eu me lembro de pensar que o tênis era mesmo muito resistente. Forrest Gump enfrentava o frio, o calor, a lama, o cocô, a chuva, a seca e o solado do calçado continuava ali, firme e forte.

Propaganda, não é?

E já não era a primeira vez que Robert Zemeckis, diretor de Forrest Gump – O Contador de Histórias, e a Nike trabalhavam juntos. Quem não se lembra dos tênis futuristas de Marty McFly em De Volta Para o Futuro 2?

Todo esse nariz de cera foi para dizer que acabaram-se as sutilezas. Se os merchans eram disfarçados na indústria do cinema, Tal Pai, Tal Filha, novo filme original da Netflix, é um divisor de águas.

O enredo a gente já viu muitas vezes na Sessão da Tarde: a workaholic Rachel (Kristen Bell) é abandonada no altar, reencontra seu pai (Kelsey Grammer) que não via desde os cinco anos e, depois de uma bebedeira, os dois vão parar em um cruzeiro. Até aí tudo bem.

O problema é que o roteiro se confunde com o merchandising do navio. Lá está a mulher tentando superar o pé na bunda enquanto o filme exibe o trabalho minucioso do chef do restaurante. Ela tenta se reconectar com o pai enquanto a gente assiste a todas as possibilidades que o cruzeiro te proporcionaria se você estivesse lá.

Os dois até esquecem de levar roupas para o navio e, antes das compras (também no cruzeiro, claro), vestem camisetas com o logo da companhia – que não vamos falar o nome porque esse texto não foi patrocinado!

É um grande catálogo da CVC com o chamariz de Seth Rogen no elenco. Mas fica o alerta aos fãs do humor do ator: ele mal aparece.

Se há algo bom nesse filme é que temos mais uma diretora estreante em longas-metragens, Lauren Miller Rogen, que também assina o roteiro. A Netflix segue no intuito de dar chances a mulheres e gente que nunca tinha conseguido penetrar na panelinha hollywoodiana. Mas, algumas vezes, desde que tenha um “Powered by [insira a sua marca aqui]”.

Comédia original Netflix é propaganda de cruzeiro para passar na Sessão da Tarde A primeira vez que percebi merchandising em um filme eu tinha 12 anos. Foi naquela crise existencial de Forrest Gump em que o personagem vivido por Tom Hanks calçava seu par de tênis Nike e corria sem rumo por semanas. Naquela época eu não tinha a menor ideia de quanto custava fazer um filme, de como funcionava a indústria do cinema e nem de que um dia trabalharia com "branded content" – que é a junção de conteúdo e publicidade. Diante da TV, com aquele filme rodando no videocassete (era assim que assistíamos aos lançamentos, crianças), eu me lembro de pensar que o tênis era mesmo muito resistente. Forrest Gump enfrentava o frio, o calor, a lama, o cocô, a chuva, a seca e o solado do calçado continuava ali, firme e forte. Propaganda, não é? E já não era a primeira vez que Robert Zemeckis, diretor de Forrest Gump – O Contador de Histórias, e a Nike trabalhavam juntos. Quem não se lembra dos tênis futuristas de Marty McFly em De Volta Para o Futuro 2? Todo esse nariz de cera foi para dizer que acabaram-se as sutilezas. Se os merchans eram disfarçados na indústria do cinema, Tal Pai, Tal Filha, novo filme original da Netflix, é um divisor de águas. O enredo a gente já viu muitas vezes na Sessão da Tarde: a workaholic Rachel (Kristen Bell) é abandonada no altar, reencontra seu pai (Kelsey Grammer) que não via desde os cinco anos e, depois de uma bebedeira, os dois vão parar em um cruzeiro. Até aí tudo bem. O problema é que o roteiro se confunde com o merchandising do navio. Lá está a mulher tentando superar o pé na bunda enquanto o filme exibe o trabalho minucioso do chef do restaurante. Ela tenta se reconectar com o pai enquanto a gente assiste a todas as possibilidades que o cruzeiro te proporcionaria se você estivesse lá. Os dois até esquecem de levar roupas para o navio e, antes das compras (também no cruzeiro, claro), vestem camisetas com o logo da companhia – que não vamos falar o nome porque esse texto não foi patrocinado! É um grande catálogo da CVC com o chamariz de Seth Rogen no elenco. Mas fica o alerta aos fãs do humor do ator: ele mal aparece. Se há algo bom nesse filme é que temos mais uma diretora estreante em longas-metragens, Lauren Miller Rogen, que também assina o roteiro. A Netflix segue no intuito de dar chances a mulheres e gente que nunca tinha conseguido penetrar na panelinha hollywoodiana. Mas, algumas vezes, desde que tenha um “Powered by [insira a sua marca aqui]”.

Tal Pai, Tal Filha

Direção
Roteiro
Elenco

Ruim

27

Mãe de um adolescente e, enquanto não está discutindo com ele, escreve livro, roteiros, textos jornalísticos e diálogos toscos no whatsapp