Crítica: Temporada | Cinematecando

Posted On 17/01/2019 By In Críticas - Lançamentos, Filmes

Crítica: Temporada

Estrada para a autodescoberta

temporada critica

A vida pode ser interessante dentro da banalidade e pode ser mostrada como ela é, sem lançar mão de hipérboles ou de recursos diversos, para chamar a atenção de quem irá assistir a determinada história. Vá lá, não é necessário ser uma comédia sobre o nada, ao melhor estilo da clássica sitcom Seinfeld, para cativar o público. O modo singelo como o dia a dia é retratado é um dos méritos do filme Temporada, dirigido por André Novais Oliveira.

Na trama, Juliana (Grace Passô) decide mudar-se de Itaúna, no interior de Minas Gerais, para trabalhar como agente de conscientização e de combate a endemias, como a dengue, em Contagem, cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte, capital do estado. A saída dela de sua antiga cidade para viver em um novo local é o ponto de partida para transformações importantes, mas que são retratadas de modo sutil conforme o filme se desenrola.

Enquanto Juliana começa a conviver com pessoas novas e passa a, pouco a pouco, repensar aspectos importantes de sua trajetória, ela precisa lidar com um drama pessoal coprotagonizado por seu marido: apesar de ter também interesse em ir para Contagem para encontrá-la lá, ele começa a desentender-se com ela e a deixa em situação emocionalmente vulnerável.

Em virtude do problema tido com o parceiro, Juliana se vê obrigada a redescobrir-se. E, por meio da dinâmica dela com os colegas de trabalho e com as pessoas com as quais precisa falar para realizar o seu trabalho, o espectador consegue ver um pouco da protagonista em cada personagem com quem ela dialoga e vice-versa. Mais: a sensação de empatia com cada pessoa retratada em cena é automática e faz o espectador se sentir um participante da história. Afinal, quem nunca apostou na ousadia para sobreviver e driblar uma adversidade? Quem não tem uma tia ou avó que faz questão de oferecer um pedaço de bolo, mesmo quando a pressa te induz a recusar? E a sensação de pertencimento à narrativa é ampliada graças à fotografia, que, por meio de estilo minimalista, passa a impressão de mais do que assistir, você está participando de um diálogo.

Outro ponto interessante da trama é ver o crescimento das demais personagens ao redor de Juliana: cada uma se sente, à sua maneira, encorajada e empoderada – nos casos das mulheres, incluindo a protagonista – a dizer o que pensa, mudar a aparência estética e a fazer o que tem vontade. Óbvio, tudo isso acontece de modo espontâneo e discreto.

O grande recado de Temporada é o seguinte: existe beleza e poesia na vida comum e todos podemos ser protagonistas do nosso modo. Enfim, o padrão ideal não existe e cada pessoa é única – e tem o direito de escrever e reescrever a própria história.

Estrada para a autodescoberta A vida pode ser interessante dentro da banalidade e pode ser mostrada como ela é, sem lançar mão de hipérboles ou de recursos diversos, para chamar a atenção de quem irá assistir a determinada história. Vá lá, não é necessário ser uma comédia sobre o nada, ao melhor estilo da clássica sitcom Seinfeld, para cativar o público. O modo singelo como o dia a dia é retratado é um dos méritos do filme Temporada, dirigido por André Novais Oliveira. Na trama, Juliana (Grace Passô) decide mudar-se de Itaúna, no interior de Minas Gerais, para trabalhar como agente de conscientização e de combate a endemias, como a dengue, em Contagem, cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte, capital do estado. A saída dela de sua antiga cidade para viver em um novo local é o ponto de partida para transformações importantes, mas que são retratadas de modo sutil conforme o filme se desenrola. Enquanto Juliana começa a conviver com pessoas novas e passa a, pouco a pouco, repensar aspectos importantes de sua trajetória, ela precisa lidar com um drama pessoal coprotagonizado por seu marido: apesar de ter também interesse em ir para Contagem para encontrá-la lá, ele começa a desentender-se com ela e a deixa em situação emocionalmente vulnerável. Em virtude do problema tido com o parceiro, Juliana se vê obrigada a redescobrir-se. E, por meio da dinâmica dela com os colegas de trabalho e com as pessoas com as quais precisa falar para realizar o seu trabalho, o espectador consegue ver um pouco da protagonista em cada personagem com quem ela dialoga e vice-versa. Mais: a sensação de empatia com cada pessoa retratada em cena é automática e faz o espectador se sentir um participante da história. Afinal, quem nunca apostou na ousadia para sobreviver e driblar uma adversidade? Quem não tem uma tia ou avó que faz questão de oferecer um pedaço de bolo, mesmo quando a pressa te induz a recusar? E a sensação de pertencimento à narrativa é ampliada graças à fotografia, que, por meio de estilo minimalista, passa a impressão de mais do que assistir, você está participando de um diálogo. Outro ponto interessante da trama é ver o crescimento das demais personagens ao redor de Juliana: cada uma se sente, à sua maneira, encorajada e empoderada - nos casos das mulheres, incluindo a protagonista - a dizer o que pensa, mudar a aparência estética e a fazer o que tem vontade. Óbvio, tudo isso acontece de modo espontâneo e discreto. O grande recado de Temporada é o seguinte: existe beleza e poesia na vida comum e todos podemos ser protagonistas do nosso modo. Enfim, o padrão ideal não existe e cada pessoa é única - e tem o direito de escrever e reescrever a própria história.

Temporada

Cotação

Bom

O filme é um elogio à vida comum e a retrata de modo minimalista e com um quê de poesia

71

Jornalista. Cinéfilo, crítico cultural wannabe e interessado por assuntos relativos a esportes, direitos humanos e minorias. Foi redator de cinema do Yahoo por um ano.