Crítica: Três Anúncios para um Crime | Cinematecando

Posted On 03/11/2017 By In Críticas - Lançamentos, Filmes

Crítica: Três Anúncios para um Crime

Este filme fez parte da programação oficial da 41º Mostra Internacional de Cinema em São Paulo

A estreia oficial está marcada para 15/02/18, com distribuição da Fox.

Começarei essa crítica com uma pergunta: Por que Frances McDormand demorou tanto tempo para voltar às telonas com uma personagem de peso? Desde Fargo (o filme já tem 20 anos!) eu não a via em um papel tão marcante e poderoso. Enquanto a admirava em Três Anúncios para um Crime, cheguei à conclusão de que eu estava com saudade de vê-la atuando; e o mais engraçado é que só me toquei disso assim que o filme começou. Está certo que, mesmo como coadjuvante ou fazendo participações especiais, Frances sempre brilha. Quase Famosos, Queime Depois de LerMoonrise Kingdom e Ave, César! são bons exemplos, mas você não está preparado(a) para ver o que a atriz – vencedora da Tríplice Coroa de Atuação – entregou no novo longa de Martin McDonagh. Uma atuação dessa magnitude vem para mostrar que, de vez em quando, é possível nos depararmos com uma obra que mexa com inúmeros sentimentos e nos deixe refletindo, analisand não somente sobre o que nos foi apresentado como também sobre a vida que nos cerca.

Gosto de pensar que Três Anúncios sobre um Crime é um grande filme com subtextos que, na verdade, não estão implícitos, mas escancarados a cada cena. A contemporaneidade presente no filme de McDonagh é maior do que sua premissa, que fala sobre Mildred Hayes (McDormand), mulher que aluga três outdoors para deixar uma mensagem à polícia da pequena cidade de Ebbing, no Missouri: sua filha foi estuprada e assassinada, já se passaram sete meses e a polícia não tem pistas de quem cometeu o crime. O que poderia ser um filme essencialmente de investigação e drama acaba se tornando um verdadeiro percurso que vai da raiva à piedade, do desespero à intolerância, do sarcasmo à tristeza. Este é um filme difícil e sobretudo real, legítimo às injustiças que tanto vemos a cada dia que passa.

Contudo, o que mais se destaca em Três Anúncios é o modo como o diretor se sente confortável ao abordar tão bem as nuances de seus personagens, mostrando que a raiva pode ser o combustível para muitas coisas, assim como a empatia. Ao passear pela montanha-russa de sentimentos na vida de Mildred e também nas experiências de Dixon (Sam Rockwell) e Willoughby (Woody Harrelson), dois policiais locais, é fantástico ver o tom violento mesclar com o irônico – o que até pode fazer alguns cinéfilos pensarem que estão assistindo a um filme dos irmãos Coen. Há vezes em que, em uma única cena, vemos esses tons se misturarem de uma forma tão repentina que é impossível não sentir o impacto. Em uma das melhores cenas – uma discussão acalorada entre Mildred e Willoughby –, é inevitável pensar que a briga causará algo bem mais sério; mas então, um segundo depois, estamos presenciando um momento de estima. Empatia. E quando um diretor (junto com a excelência dos atores) consegue fazer isso em uma única cena… é simplesmente algo que não sairá da sua cabeça tão cedo.

O impacto que Três Anúncios carrega perderia facilmente a força caso o elenco não fosse composto por McDormand, Rockwell e Harrelson, que esbanjam brilhantismo e naturalidade. Os três surpreendem muito; sobretudo Rockwell, que entrega um personagem que progride e retrocede ao mesmo tempo. E o roteiro, sempre ‘brincando’ com as reviravoltas ao longo de duas horas de filme, também auxilia no tratamento dos três personagens e os torna extremamente verossímeis, com o intuito de simplesmente mostrar como os americanos pensam. Pode até parecer absurdo em alguns momentos, mas tudo que nos é mostrado é a verdade nua e crua… especialmente se pensarmos que o personagem de Rockwell, por exemplo, é nada mais nada menos que o típico eleitor de Trump.

Preconceito, raiva, desigualdade, ignorância, intolerância.

Piadas, ironia, empatia, identificação, perdão.

Complexo em seu conteúdo mas simples na forma que o explica, Três Anúncios para um Crime transita entre essas palavras para, no fim, misturar tudo e tornar-se algo maior. Um filme como esse raramente aparece e dificilmente deixará os espectadores indiferentes. Basta analisá-lo como um retrato do nosso tempo para entender sua mensagem e, por consequência, se sensibilizar.

Este filme fez parte da programação oficial da 41º Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.  A estreia oficial está marcada para 15/02/18, com distribuição da Fox. Começarei essa crítica com uma pergunta: Por que Frances McDormand demorou tanto tempo para voltar às telonas com uma personagem de peso? Desde Fargo (o filme já tem 20 anos!) eu não a via em um papel tão marcante e poderoso. Enquanto a admirava em Três Anúncios para um Crime, cheguei à conclusão de que eu estava com saudade de vê-la atuando; e o mais engraçado é que só me toquei disso assim que o filme começou. Está certo que, mesmo como coadjuvante ou fazendo participações especiais, Frances sempre brilha. Quase Famosos, Queime Depois de Ler, Moonrise Kingdom e Ave, César! são bons exemplos, mas você não está preparado(a) para ver o que a atriz - vencedora da Tríplice Coroa de Atuação - entregou no novo longa de Martin McDonagh. Uma atuação dessa magnitude vem para mostrar que, de vez em quando, é possível nos depararmos com uma obra que mexa com inúmeros sentimentos e nos deixe refletindo, analisand não somente sobre o que nos foi apresentado como também sobre a vida que nos cerca. Gosto de pensar que Três Anúncios sobre um Crime é um grande filme com subtextos que, na verdade, não estão implícitos, mas escancarados a cada cena. A contemporaneidade presente no filme de McDonagh é maior do que sua premissa, que fala sobre Mildred Hayes (McDormand), mulher que aluga três outdoors para deixar uma mensagem à polícia da pequena cidade de Ebbing, no Missouri: sua filha foi estuprada e assassinada, já se passaram sete meses e a polícia não tem pistas de quem cometeu o crime. O que poderia ser um filme essencialmente de investigação e drama acaba se tornando um verdadeiro percurso que vai da raiva à piedade, do desespero à intolerância, do sarcasmo à tristeza. Este é um filme difícil e sobretudo real, legítimo às injustiças que tanto vemos a cada dia que passa. Contudo, o que mais se destaca em Três Anúncios é o modo como o diretor se sente confortável ao abordar tão bem as nuances de seus personagens, mostrando que a raiva pode ser o combustível para muitas coisas, assim como a empatia. Ao passear pela montanha-russa de sentimentos na vida de Mildred e também nas experiências de Dixon (Sam Rockwell) e Willoughby (Woody Harrelson), dois policiais locais, é fantástico ver o tom violento mesclar com o irônico - o que até pode fazer alguns cinéfilos pensarem que estão assistindo a um filme dos irmãos Coen. Há vezes em que, em uma única cena, vemos esses tons se misturarem de uma forma tão repentina que é impossível não sentir o impacto. Em uma das melhores cenas – uma discussão acalorada entre Mildred e Willoughby –, é inevitável pensar que a briga causará algo bem mais sério; mas então, um segundo depois, estamos presenciando um momento de estima. Empatia. E quando um diretor (junto com a excelência dos atores) consegue…

Três Anúncios para um Crime

Direção
Roteiro
Elenco
Fotografia

Excelente

95

Jornalista especializada em cinema. Fundadora e editora-chefe do Cinematecando. Trabalhou como assessora de imprensa na 41ª edição da Mostra Internacional de Cinema e apresenta o canal do site no YouTube.