Crítica: Trumbo - Lista Negra | Cinematecando

Posted On 26/01/2016 By In Críticas - Lançamentos

Crítica: Trumbo – Lista Negra

Década de 1940. Com a Segunda Guerra Mundial, ideologias políticas divergentes foram criadas e, juntamente com a péssima relação entre os Estados Unidos e a União Soviética, esses posicionamentos opostos só ganharam mais espaço. De um lado estavam os pacifistas; do outro, os comunistas. Na Califórnia, durante este momento incerto na política, o Comitê de Investigação de Atividades Antiamericanas do Senado conduziu investigações contra milhares de americanos. Toda essa suspeita foi usada como desculpa para vencer o comunismo nos Estados Unidos. Inclusive, a medida foi tão profunda que chegou até a indústria do cinema. E foi lá onde dez roteiristas de Hollywood, todos de esquerda, se destacaram quando negaram, perante ao Comitê, a responder quaisquer perguntas feitas (principalmente sobre suas crenças políticas). Eles foram classificados como “antiamericanos” e sentenciados à prisão. Dalton Trumbo, o roteirista mais bem pago na época, estava entre os dez convocados.

Dalton Trumbo (1905-1976) gostava de expor fatores como a injustiça americana em seus roteiros e defendia arduamente o esquerdismo, participando de manifestações em prol da sociedade. Foi preso por onze meses por desobediência civil em seu depoimento e fez parte da “Lista Negra” de Hollywood por 13 anos, juntamente com seus colegas de trabalho. Isso afetou diretamente sua família por todo esse período, uma vez que o sobrenome Trumbo era praticamente uma palavra proibida. Porém, não afetou sua carreira. Seu papel neste fragmento manchado na história do cinema americano foi essencial para impulsionar o fim da temida lista. Agora, a história do roteirista foi muito bem contada para o cinema com a direção de Jay Roach (da série Austin Powers) e roteiro de John McNamara.

Por mais que a temática política seja de grande destaque, o filme acerta ao criar uma atmosfera imersiva na mente criativa do personagem Trumbo (em uma atuação fantástica de Bryan Cranston, aqui bem distanciado de seu célebre personagem Walter White, de Breaking Bad). É fascinante ver seus métodos de trabalho e sua determinação em se manter na indústria cinematográfica. Mesmo durante os 13 anos que permaneceu exilado do cinema, Dalton Trumbo continuou trabalhando usando pseudônimos e ganhou dois Oscars de Melhor Roteiro por A Princesa e o Plebeu, de 1953, e Arenas Sangrentas, de 1956. Mas foi só em 1960, com a ajuda de Kirk Douglas, que Trumbo escreveu Spartacus, filme que conta a história de um gladiador que se revolta com seus mestres e comanda escravos em uma rebelião. Foi com esse trabalho que Dalton Trumbo saiu das sombras e voltou a ter sua identidade própria.

O filme ainda conta com um elenco de peso: Diane Lane é Cleo, esposa do roteirista; Helen Mirren é a colunista de fofocas Hedda Hopper; John Goodman interpreta o produtor Frank King, e Elle Fanning encarna a filha de Trumbo, Nikola. Além deles, também fazem parte do filme personalidades muito importantes para a época retratada. Kirk Douglas (Dean O’Gorman, ótimo), John Wayne (David James Elliot), Edward G. Robinson (Michael Stuhlbarg), e Otto Preminger (Christian Berkel) fazem suas aparições e dão o tom perfeito para a ambientação do filme, dos anos 40 a 60.

A cinebiografia Trumbo foi baseada no livro homônimo de Bruce Cook e se insere perfeitamente dentro dos parâmetros do “inspirado em fatos reais”. Ao mesmo tempo, é um presente para os fãs do cinema clássico, tendo a proeza de adequar os bastidores de filmes para dentro da trama. Spartacus, A Princesa e o Plebeu e Arenas Sangrentas compõem de maneira elegante a jornada do ambicioso roteirista. 

Trumbo foi indicado na categoria de Melhor Ator (Bryan Cranston) no Oscar 2016 e estreia nos cinemas brasileiros dia 28 de janeiro. Com certeza vale o ingresso!

FICHA TÉCNICA
Direção: Jay Roach
Roteiro: John McNamara
Elenco: Alan Tudyk, Bryan Cranston, Dan Bakkedahl, Dane Rhodes, David James Elliott, David Maldonado, Diane Lane, Helen Mirren, James DuMont, Jason Bayle, John Getz, John Neisler, Johnny Sneed, Joseph S. Martino, Laura Flannery, Louis C.K., Madison Wolfe, Michael Stuhlbarg, Peter Mackenzie, Richard Portnow, Rio Hackford, Roger Bart, Toby Nichols
Produção: Janice Williams, John McNamara, Kevin Kelly Brown, Michael London, Monica Levinson, Nimitt Mankad, Shivani Rawat

Década de 1940. Com a Segunda Guerra Mundial, ideologias políticas divergentes foram criadas e, juntamente com a péssima relação entre os Estados Unidos e a União Soviética, esses posicionamentos opostos só ganharam mais espaço. De um lado estavam os pacifistas; do outro, os comunistas. Na Califórnia, durante este momento incerto na política, o Comitê de Investigação de Atividades Antiamericanas do Senado conduziu investigações contra milhares de americanos. Toda essa suspeita foi usada como desculpa para vencer o comunismo nos Estados Unidos. Inclusive, a medida foi tão profunda que chegou até a indústria do cinema. E foi lá onde dez roteiristas de Hollywood, todos de esquerda, se destacaram quando negaram, perante ao Comitê, a responder quaisquer perguntas feitas (principalmente sobre suas crenças políticas). Eles foram classificados como “antiamericanos” e sentenciados à prisão. Dalton Trumbo, o roteirista mais bem pago na época, estava entre os dez convocados. Dalton Trumbo (1905-1976) gostava de expor fatores como a injustiça americana em seus roteiros e defendia arduamente o esquerdismo, participando de manifestações em prol da sociedade. Foi preso por onze meses por desobediência civil em seu depoimento e fez parte da “Lista Negra” de Hollywood por 13 anos, juntamente com seus colegas de trabalho. Isso afetou diretamente sua família por todo esse período, uma vez que o sobrenome Trumbo era praticamente uma palavra proibida. Porém, não afetou sua carreira. Seu papel neste fragmento manchado na história do cinema americano foi essencial para impulsionar o fim da temida lista. Agora, a história do roteirista foi muito bem contada para o cinema com a direção de Jay Roach (da série Austin Powers) e roteiro de John McNamara. Por mais que a temática política seja de grande destaque, o filme acerta ao criar uma atmosfera imersiva na mente criativa do personagem Trumbo (em uma atuação fantástica de Bryan Cranston, aqui bem distanciado de seu célebre personagem Walter White, de Breaking Bad). É fascinante ver seus métodos de trabalho e sua determinação em se manter na indústria cinematográfica. Mesmo durante os 13 anos que permaneceu exilado do cinema, Dalton Trumbo continuou trabalhando usando pseudônimos e ganhou dois Oscars de Melhor Roteiro por A Princesa e o Plebeu, de 1953, e Arenas Sangrentas, de 1956. Mas foi só em 1960, com a ajuda de Kirk Douglas, que Trumbo escreveu Spartacus, filme que conta a história de um gladiador que se revolta com seus mestres e comanda escravos em uma rebelião. Foi com esse trabalho que Dalton Trumbo saiu das sombras e voltou a ter sua identidade própria. O filme ainda conta com um elenco de peso: Diane Lane é Cleo, esposa do roteirista; Helen Mirren é a colunista de fofocas Hedda Hopper; John Goodman interpreta o produtor Frank King, e Elle Fanning encarna a filha de Trumbo, Nikola. Além deles, também fazem parte do filme personalidades muito importantes para a época retratada. Kirk Douglas (Dean O’Gorman, ótimo), John Wayne (David James Elliot), Edward G. Robinson (Michael Stuhlbarg), e Otto Preminger (Christian Berkel) fazem suas aparições e dão o tom perfeito para a ambientação do…

Nota

Trumbo - Lista Negra

Ótimo

80

Jornalista especializada em cinema. Fundadora e editora-chefe do Cinematecando. Trabalhou como assessora de imprensa na 41ª edição da Mostra Internacional de Cinema e apresenta o canal do site no YouTube.