Posted On maio 31, 2017 By In Filmes, Rebobinando

Rebobinando: Regras da Vida (1999)

Antes de mais nada acho válido lembrarmos que Tobey Maguire não atuou apenas na trilogia de Homem-Aranha (2002-2007), o ator também protagonizou ótimos filmes que hoje praticamente caíram no esquecimento de vários cinéfilos. Entre eles, está o filme homenageado hoje no Rebobinando. Hoje em dia somos todos apaixonados por filmes indicados e vencedores do Oscar e de outros festivais, acompanhar os maiores sucessos de crítica é bem interessante para quem gosta de ficar por dentro das produções mais premiadas, mas de vez em quando sempre deixamos passar alguns filmes que apesar de serem aclamados e premiados, não alcançam uma fama que perdura décadas. Esse é o caso do filme de hoje, mas não é apenas o sucesso de crítica e o poderoso elenco que me chama a atenção nele, mas sim sua bela e comovente história. O clássico da vez é…

REGRAS DA VIDA (1999)

Já aviso (não pela primeira vez) que o Rebobinando é realizado em cima de filmes que datam até 1999. Filmes do século XXI não entram para essa seção. É nesse limite que entro com Regras da Vida, uma das mais lindas produções americanas em minha opinião, que há tempos merecia um texto aqui no Cinematecando, e que hoje, com prazer, trarei minhas opiniões mais sinceras sobre esse filme que me marcou como poucos, e que com certeza sempre guardarei com carinho em meus pensamentos. Te desejo uma boa leitura, pois o texto é curto, mas o aprendizado não.

Baseado no best-seller de John Irving, a história de Homer Wells (Tobey Maguire), um garoto sem parentes que passa a ter como mentor um médico de um orfanato, Dr. Wilbur Larch (Michael Caine). Larch ensina a Homer tudo o que sabe sobre medicina e a diferença entre certo e errado, mas nunca o ensinou as regras da vida propriamente ditas. Quando Homer sai para descobrir o mundo, ele mais excitante do que jamais imaginara, especialmente quando se apaixona pela primeira vez. Entretanto, quando forçado a tomar decisões que irão influir para sempre em sua vida, percebe que no final das contas a vida pode não ser tão bela quanto imaginava, e que não pode fugir de seu passado.

Além da ótima atuação de Maguire no filme, Michael Caine também entrega uma de suas melhores interpretações, que lhe rendeu seu segundo e até então último Oscar, como melhor ator coadjuvante. Entre as estrelas também se vê Charlize Theron, interpretando Candy, e Paul Rudd, que interpreta Wally, seu namorado. Ainda mais distantes, estão J.K. Simmons e o pequeno Kieran Culkin, que ainda não era conhecido. Todos os personagens não deixam a desejar, principalmente as crianças do orfanato e Arthur Rose (Delroy Lindo) e sua equipe, que trabalham no pomar de maças da família de Worthington. Todos esses personagens possuem grande influência na vida de Homer e o ensinam sobre a vida e seus caminhos.

A intenção do filme é fazer com que o expectador se emocione com a as descobertas de Homer e se projete no personagem, esse é um dos filmes que mais exige a sensibilidade do público, pois se não conseguir se identificar com o personagem, é necessário ao menos se idealizar na pele de Homer, e se entregar aos acontecimentos do filme. Só assim é possível que a platéia absorva todo o conteúdo dramático da narrativa e guarde aquelas memórias por pelo menos um bom tempo. Simplesmente não dá pra ignorar a emotiva trilha sonora composta por Rachel Portman, a primeira mulher a vencer o Oscar de melhor trilha sonora, mas no caso por outro filme, Emma (1996). Ainda assim, Regras da Vida lhe rendeu uma indicação ao Oscar como melhor trilha sonora, algo justíssimo, pois nos lembra das trilhas melancólicas do mestre Alan Silvestri, que complementam o enredo e seus sentimentos de maneira rara, valorizando a música e sua influência dramática.

Ao acompanhar as aventuras de Homer, somos colocados em um ambiente sedutor, pois aprendemos junto com o personagem e sentimos a vida passar por nossos olhos, presenciamos coisas ruins e coisas boas, sofremos e nos alegramos, tudo em seu tempo. A graça da premissa, está no fato de nos identificarmos com a vida de um homem diferente, que nunca deixou um orfanato até sua idade adulta, mas que no fim passa pelas mesmas coisas que nós, ou até mais marcantes. O roteiro também nos coloca frente a situações complicadas, difíceis de serem definidas apenas como certo ou o errado, pois assim como nós, os personagens também são hipócritas de certo modo, e portanto não são perfeitos. E essa imperfeição é talvez a maior perfeição do filme e sua história.

O conhecido cineasta sueco Lasse Hallström assina a direção do filme, que agrada e cativa em todas as cenas. Regras da Vida é o clássico romance dramático que vai te arrancar lágrimas a todo custo. Emocionante até o último minuto, e ainda trazem pequenas cenas cômicas que dão um gosto ainda mais pessoal à obra. Se pretende assistir a um filme para chorar, se apaixonar e colocar a prova todos seus sentimentos mais profundos, recomendo que assista essa incrível produção, que de longe representa um dos meus filmes favoritos, pois fale o que quiser, esses dramas americanos “forçados” com trilhas inspiradoras tem o poder de nos derreter por completo.

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Redator do Cinematecando | Estudante de Cinema, 18 anos. Aspirante a roteirista, desde criança acompanhava seus pais até uma das locadoras de sua cidade para alugar os mais variados filmes; aí nasceu sua paixão pela Sétima Arte. Considera-se fanático por Cinema Clássico, Jazz e Jogos Eletrônicos, de preferência com uma boa história.