Crítica: Conspiração e Poder | Cinematecando

Posted On 28/06/2016 By In Críticas - Lançamentos

Crítica: Conspiração e Poder

Estreia na direção do roteirista James Vanderbilt (Zodíaco, O Espetacular Homem-Aranha, Independence Day: O Ressurgimento), Conspiração e Poder foi baseado nas memórias Truth and Duty: The Press, the President and the Privilege of Power de Mary Mapes (Cate Blanchett), jornalista e produtora de noticiários. O filme discorre sobre as controvérsias de documentos que alegariam que o então presidente americano, George W. Bush, teria usado seu nome para ter um ‘tratamento preferencial’ pela Guarda da Força Aérea, incluindo dispensa de treinamentos e horas requeridas de performance, além de um “sumiço” por quase um ano, sem frequentar a base da Força Aérea. A produtora Mapes, à frente do noticiário 60 Minutes da rede CBS, apresentado pelo âncora Dan Rather (Robert Redford), um tipo de Cid Moreira ou Sérgio Chapelin da televisão americana, resolvem ir a fundo nessa investigação para levar a verdade (tradução do título original do filme, Truth) aos espectadores, às margens das eleições presidenciais em 2004.

O estreante Vanderbilt escreveu um roteiro (do tipo moderno) que aborda com convicção os fatos dos bastidores dessa investigação liderada por Mary Mapes e sua equipe (Topher Grace, Dennis Quaid, Elisabeth Moss). Na primeira meia hora de filme, presume-se que veremos um tipo de drama documental, mas não é bem assim. Acima de tudo, Conspiração e Poder é, definitivamente, um drama bem mais humano do que um enredo como esse costuma proporcionar. Este aborda alguns caminhos e situações como o trabalho do chamado ‘jornalismo de legado’, com jornais e telejornais que traziam os acontecimentos do mundo durante o café da manhã, ou à mesa de jantar. No comecinho deste ano, já tivemos uma amostra desse tipo de jornalismo, com Spotlight – Segredos Revelados (sublime filme!), que visa elevar o ímpeto e curiosidade do jornalista em buscar a melhor matéria e a verdade atrás da cortina. Também examina o aspecto da força que a política de interesses exerce sobre o jornalismo, mas sem torcer a faca. São nesses tipos de plataforma que o enredo do filme caminha, mas em ambos, o diretor/roteirista Vanderbilt não alcança maiores louros, pois estes são tratados de uma maneira quase superficial, porque não trouxe o mesmo brilho que Spotlight conseguiu ao retratar o ambiente jornalístico e seu trabalho, e também por não ser mais audacioso ao apresentar a influência que a política rodeia a informação, deixando-a mais turva e obscura, à custa de interesses pessoais.

Definitivamente, por essa configuração, não é um filme brilhante. Porém, uma qualidade é inegável em Conspiração e Poder, que é o traço humano nessa história, e este repousa sobre os ombros das personagens Mary Mapes e Dan Rather. No fundo, a maior força do filme está na relação de produtora/”filha” de Mapes, com o âncora/figura paterna de Rather. A ligação natural feita de um ‘mix’ de carinho/confiança, que usualmente existe na relação entre pais e filhos, é a base do que move estas duas personagens e suas curiosidades. É, por este prisma, que o filme consegue maiores acertos: devido a uma atuação, mesmo que nada brilhante, mas competente e agarrada aos dentes com vigor por Cate Blanchett, e ao carisma e sobriedade cirúrgica da lenda Robert Redford.

Conspiração e Poder é um filme interessante que aborda um tema relevante, principalmente considerando a situação política de muitos países, como os Estados Unidos e, claro, o Brasil no atual momento.

Dan Rather, ao final de sua última transmissão como âncora de telejornal, dirigiu-se diretamente ao espectador com um bordão de esperança e incentivo, dizendo apenas a palavra ‘courage’ (no português, coragem), dedicando a todos aqueles que buscam o melhor e a verdade, assim como aqueles que sofreram a dor da derrota. Talvez, se Conspiração e Poder tivesse ousado com um pouco a mais de ‘courage’, teria conseguido um filme mais compacto e pulsante.

FICHA TÉCNICA
Direção: James Vanderbilt
Roteiro: James Vanderbilt
Fotografia: Mandy Walker
Montagem: Richard Francis-Bruce
Elenco: Cate Blanchett, Robert Redford, Topher Grace, Dennis Quaid, Elisabeth Moss, Bruce Greenwood, Stacy Keach
Duração: 125 minutos

Estreia na direção do roteirista James Vanderbilt (Zodíaco, O Espetacular Homem-Aranha, Independence Day: O Ressurgimento), Conspiração e Poder foi baseado nas memórias Truth and Duty: The Press, the President and the Privilege of Power de Mary Mapes (Cate Blanchett), jornalista e produtora de noticiários. O filme discorre sobre as controvérsias de documentos que alegariam que o então presidente americano, George W. Bush, teria usado seu nome para ter um ‘tratamento preferencial’ pela Guarda da Força Aérea, incluindo dispensa de treinamentos e horas requeridas de performance, além de um “sumiço” por quase um ano, sem frequentar a base da Força Aérea. A produtora Mapes, à frente do noticiário 60 Minutes da rede CBS, apresentado pelo âncora Dan Rather (Robert Redford), um tipo de Cid Moreira ou Sérgio Chapelin da televisão americana, resolvem ir a fundo nessa investigação para levar a verdade (tradução do título original do filme, Truth) aos espectadores, às margens das eleições presidenciais em 2004. O estreante Vanderbilt escreveu um roteiro (do tipo moderno) que aborda com convicção os fatos dos bastidores dessa investigação liderada por Mary Mapes e sua equipe (Topher Grace, Dennis Quaid, Elisabeth Moss). Na primeira meia hora de filme, presume-se que veremos um tipo de drama documental, mas não é bem assim. Acima de tudo, Conspiração e Poder é, definitivamente, um drama bem mais humano do que um enredo como esse costuma proporcionar. Este aborda alguns caminhos e situações como o trabalho do chamado ‘jornalismo de legado’, com jornais e telejornais que traziam os acontecimentos do mundo durante o café da manhã, ou à mesa de jantar. No comecinho deste ano, já tivemos uma amostra desse tipo de jornalismo, com Spotlight – Segredos Revelados (sublime filme!), que visa elevar o ímpeto e curiosidade do jornalista em buscar a melhor matéria e a verdade atrás da cortina. Também examina o aspecto da força que a política de interesses exerce sobre o jornalismo, mas sem torcer a faca. São nesses tipos de plataforma que o enredo do filme caminha, mas em ambos, o diretor/roteirista Vanderbilt não alcança maiores louros, pois estes são tratados de uma maneira quase superficial, porque não trouxe o mesmo brilho que Spotlight conseguiu ao retratar o ambiente jornalístico e seu trabalho, e também por não ser mais audacioso ao apresentar a influência que a política rodeia a informação, deixando-a mais turva e obscura, à custa de interesses pessoais. Definitivamente, por essa configuração, não é um filme brilhante. Porém, uma qualidade é inegável em Conspiração e Poder, que é o traço humano nessa história, e este repousa sobre os ombros das personagens Mary Mapes e Dan Rather. No fundo, a maior força do filme está na relação de produtora/"filha" de Mapes, com o âncora/figura paterna de Rather. A ligação natural feita de um ‘mix’ de carinho/confiança, que usualmente existe na relação entre pais e filhos, é a base do que move estas duas personagens e suas curiosidades. É, por este prisma, que o filme consegue maiores acertos: devido a uma atuação, mesmo que nada brilhante, mas competente e agarrada aos dentes com vigor por Cate Blanchett, e ao carisma e sobriedade cirúrgica da lenda Robert Redford. Conspiração e Poder é um filme interessante que aborda um…

Nota

Conspiração e Poder

Ótimo

80