Crítica: Raça | Cinematecando

Posted On 23/06/2016 By In Críticas - Lançamentos

Crítica: Raça

À primeira vista, Raça pode ser considerado apenas mais um filme biográfico sobre esporte e superação mas, na verdade, o pano de fundo da história (o regime nazista) é tão marcante quanto a trajetória de Jesse Owens, famoso recordista olímpico. Tanto na vida real como na adaptação cinematográfica, o nazismo possui um importante papel na ascensão do velocista.

O filme do diretor Stephen Hopkins conta a história de Owens (Stephan James), que conquistou 4 medalhas de ouro nas Olimpíadas de 1936 em Berlim e contrariou os alemães do regime nazista. O drama e as questões raciais e políticas são aspectos muito abordados na trama, o que dá ainda mais peso pois todos os fatos – mesmo não sendo minuciosamente desenvolvidos – foram todos reais. O ator Stephan James foi uma ótima escolha para o papel do lendário velocista e, felizmente, todo o elenco secundário também funciona muito bem.

A trajetória do velocista se passa desde quando entra na faculdade (o primeiro de sua família a conseguir tal feito) e conhece o treinador Larry Snyder (Jason Sudeikis), que lhe dá o apoio necessário para crescer como atleta e ser maior que o preconceito na América. Em paralelo aos treinos de Owens, temos todas as questões políticas pairando sobre as negociações para as Olimpíadas de 1936, que foram sediadas na Alemanha. A ida do atleta aos jogos chegou a ser ameaçada devido um boicote ao governo Hitler, mas quando Avery Brundage(Jeremy Irons), pessoa muito influente no Comitê Olímpico, conseguiu os votos necessários para os EUA participarem dos jogos, Owens tinha em suas mãos a chance de enfrentar a supremacia ariana usando o esporte.

O filme merece destaque por mostrar a ascensão de Jesse Owens contrastandodiretamente com o racismo, que não mudou em momento algum tanto na América como na Alemanha. As cenas durante as Olimpíadas são ótimas: desde as corridas, os diálogos entre Brundage e os alemães, até as gravações que a cineasta alemã Leni Riefenstahl (Carice Van Houten) faz. Leni foi a responsável por criar um dos maiores documentários esportivos de todos os tempos,Olympia, e teve que enfrentar o ministro de propaganda Joseph Goebbels(Barnaby Metschurat) para fazer o filme do seu jeito, sem o conservadorismo nazista. Sua criatividade e persistência são mostradas de maneira incrível no longa. Além desses personagens interessantes, outro destaque do filme vai para o personagem alemão Luz Long (David Kross), que, para o espanto e ódio dos nazistas, acabou se tornando amigo de Owens durante as Olimpíadas (e fora dela). Em uma bela cena, Luz comemora a vitória de seu amigo americano correndo ao redor do campo junto com ele, de braços dados. É realmente uma imagem que ninguém estava esperando, muito menos os alemães.

O título Raça pode ser visto com dois olhares: raça no sentido de ter força para fazer algo, e raça no conceito de características físicas. O filme vai além do esporte pois sua abordagem política e social é muito forte, e ainda assim o foco não é perdido. Alguns podem não gostar do enfoque, mas ele foi totalmente válido – ainda mais na adaptação de uma história real que aconteceu em tempos que, até hoje, são inexplicáveis para a humanidade.

O filme estreia hoje, dia 23 de junho!

FICHA TÉCNICA
Direção: Stephen Hopkins
Roteiro: John Shrapnel
Fotografia: Peter Levy
Elenco: Stephan James, Jason Sudeikis, Jeremy Irons, William Hurt and Carice van Houten
Ano: 2016

À primeira vista, Raça pode ser considerado apenas mais um filme biográfico sobre esporte e superação mas, na verdade, o pano de fundo da história (o regime nazista) é tão marcante quanto a trajetória de Jesse Owens, famoso recordista olímpico. Tanto na vida real como na adaptação cinematográfica, o nazismo possui um importante papel na ascensão do velocista. O filme do diretor Stephen Hopkins conta a história de Owens (Stephan James), que conquistou 4 medalhas de ouro nas Olimpíadas de 1936 em Berlim e contrariou os alemães do regime nazista. O drama e as questões raciais e políticas são aspectos muito abordados na trama, o que dá ainda mais peso pois todos os fatos - mesmo não sendo minuciosamente desenvolvidos - foram todos reais. O ator Stephan James foi uma ótima escolha para o papel do lendário velocista e, felizmente, todo o elenco secundário também funciona muito bem. A trajetória do velocista se passa desde quando entra na faculdade (o primeiro de sua família a conseguir tal feito) e conhece o treinador Larry Snyder (Jason Sudeikis), que lhe dá o apoio necessário para crescer como atleta e ser maior que o preconceito na América. Em paralelo aos treinos de Owens, temos todas as questões políticas pairando sobre as negociações para as Olimpíadas de 1936, que foram sediadas na Alemanha. A ida do atleta aos jogos chegou a ser ameaçada devido um boicote ao governo Hitler, mas quando Avery Brundage(Jeremy Irons), pessoa muito influente no Comitê Olímpico, conseguiu os votos necessários para os EUA participarem dos jogos, Owens tinha em suas mãos a chance de enfrentar a supremacia ariana usando o esporte. O filme merece destaque por mostrar a ascensão de Jesse Owens contrastandodiretamente com o racismo, que não mudou em momento algum tanto na América como na Alemanha. As cenas durante as Olimpíadas são ótimas: desde as corridas, os diálogos entre Brundage e os alemães, até as gravações que a cineasta alemã Leni Riefenstahl (Carice Van Houten) faz. Leni foi a responsável por criar um dos maiores documentários esportivos de todos os tempos,Olympia, e teve que enfrentar o ministro de propaganda Joseph Goebbels(Barnaby Metschurat) para fazer o filme do seu jeito, sem o conservadorismo nazista. Sua criatividade e persistência são mostradas de maneira incrível no longa. Além desses personagens interessantes, outro destaque do filme vai para o personagem alemão Luz Long (David Kross), que, para o espanto e ódio dos nazistas, acabou se tornando amigo de Owens durante as Olimpíadas (e fora dela). Em uma bela cena, Luz comemora a vitória de seu amigo americano correndo ao redor do campo junto com ele, de braços dados. É realmente uma imagem que ninguém estava esperando, muito menos os alemães. O título Raça pode ser visto com dois olhares: raça no sentido de ter força para fazer algo, e raça no conceito de características físicas. O filme vai além do esporte pois sua abordagem política e social é muito forte, e ainda assim o foco não é perdido. Alguns podem não gostar do enfoque, mas ele foi totalmente válido…

Nota

Raça

Ótimo

80

Jornalista especializada em cinema. Fundadora e editora-chefe do Cinematecando. Foi assessora de imprensa na 41ª edição da Mostra Internacional de Cinema e hoje é redatora e repórter do portal AdoroCinema.