Crítica: Benzinho | Cinematecando

Posted On 22/08/2018 By In Críticas - Lançamentos, Filmes

Crítica: Benzinho

Com boas reações no Festival de Sundance, drama nacional chega aos cinemas brasileiros para emocionar a todos os públicos

Imagem do filme 'Benzinho'

Ver um filho ir embora de casa nunca é fácil. Principalmente para as mães, que tendem a possuir uma relação mais próxima desde a amamentação. Porém, Benzinho é muito mais do que isso – ou pelo menos tenta ser. Karine Teles interpreta Irene, uma mulher determinada e esforçada que acaba de descobrir que seu primogênito foi convidado para jogar handebol na Alemanha. Tendo de lidar com a notícia e o medo de ver seu filho tão longe de casa, Irene ainda tenta conciliar sua vida com todos afazeres de casa, dando atenção para seus quatro filhos, ouvindo e aconselhando sua irmã (Adriana Esteves), e ainda por cima se arranjando diante das decisões inconstantes de seu marido (Otávio Müller).

O enredo funciona bem ao desenvolver o drama vivido por Irene envolta da correria e da quantidade de problemas que a personagem tenta resolver. Outro acerto é a inclusão de alívios cômicos, principalmente nas cenas entre as crianças. Mas é Karine Teles quem realmente se mostra o verdadeiro troféu de Benzinho. A atriz alcança os níveis mais desesperadores de qualquer mãe e, ao mesmo tempo, mantém a naturalidade necessária para sua personagem. Contudo, a maioria dos outros personagens não possuem tanto destaque, com exceção do filho mais velho, Fernando (Konstantinos Sarris). As notáveis interpretações dos atores compensam o pouco tempo em cena, como é o caso de César Troncoso como um cunhado explosivo, e até Mateus Solano como um técnico rancoroso que não aparece em mais de duas cenas.

O filme não é isento de complicações. Adriana Esteves, além de não impressionar, protagoniza um arco dramático que se prorroga durante o segundo ato e não agrega à história principal. Ele representa a intenção do roteiro de Gustavo Pizzi (também diretor) e Karine Teles de incrementar tristes situações vividas pelas mulheres. Embora não deixe de ser um reflexo verdadeiro e lamentável, o pequeno recorte do marido autoritário não prende a atenção do espectador – além de ser deixado de lado ao final do terceiro ato.

As fugas do roteiro não param por aí. Outra opção da direção que limitam o envolvimento do público é a longa duração de algumas cenas que pouco fazem diferença. É o caso da cena em que Irene dança ouvindo uma música que Fernando adorava, numa tentativa de chamar a atenção do filho. A cena é interessante no ponto de vista de uma mãe querendo se reaproximar de seu filho, seja por saudade ou com intenção de fazê-lo ficar, mas além de usar um espaço de tempo relativamente grande, ela é apresentada num contexto humorístico que não se encaixa com a proposta.

Imagem do filme 'Benzinho'

Se algumas subtramas e cenas agem como potenciais empecilhos frente à história principal, por outro lado temos atrativos que superam quaisquer barreiras e fazem de Benzinho mais um ótimo filme nacional. O universo criado por Gustavo Pizzi se torna algo único e crível. Os sons dos carros e ruídos por todos os lados denota o realismo urbano e conturbado das cidades, mas ao mesmo tempo a paleta de cores suaves dão uma identidade sutil e inocente aos personagens. Alguns elementos do roteiro também chamam a atenção, como o frequente uso de diálogos rápidos e simultâneos entre Irene, seus filhos e seu marido. Isso é um dos belíssimos exemplos que nos mostra o quanto a vida consegue ser desorganizada, corriqueira e complicada para uma mãe.

Não é difícil sair da sessão enxugando as lágrimas após presenciar um retrato tão fiel da maternidade contemporânea, juntamente com o conflito pessoal da personagem principal em deixar o filho ir paro mundo sozinho. Os sentimentos de saudade, medo, e todas as dúvidas que surgem são inexplicáveis. Por isso mesmo o roteiro nem faz questão em explicar. Ele apenas aponta os sentimentos de Irene através de suas ações, expressões e gaguejos.

Parte destes sentimentos também podem ser captados pela simples forma que um ambiente se encontra iluminado. A iluminação aqui faz um grande trabalho ao mesclar luzes quentes e alaranjadas com tons frios e azulados. Este contraste cogita uma possível ambiguidade nas intenções de Irene, que, ao mesmo tempo em que busca rever seus conceitos e entregar seu filho para o mundo, também retém o clássico sentimento de tê-lo consigo para o resto de sua vida.

Apesar de uma dificuldade em filtrar o que move a história do que a embaraça, Benzinho traz uma visão necessária e reflexiva sobre a vida e as relações que possuímos com a nossa família. De maneira delicada, a obra é um ensaio sobre o que fazemos por nossos filhos e para eles, e o espaço que precisamos dar para que os mesmos possam seguir com suas vidas, se espelhando em nossas ações ou não.

Com boas reações no Festival de Sundance, drama nacional chega aos cinemas brasileiros para emocionar a todos os públicos Ver um filho ir embora de casa nunca é fácil. Principalmente para as mães, que tendem a possuir uma relação mais próxima desde a amamentação. Porém, Benzinho é muito mais do que isso - ou pelo menos tenta ser. Karine Teles interpreta Irene, uma mulher determinada e esforçada que acaba de descobrir que seu primogênito foi convidado para jogar handebol na Alemanha. Tendo de lidar com a notícia e o medo de ver seu filho tão longe de casa, Irene ainda tenta conciliar sua vida com todos afazeres de casa, dando atenção para seus quatro filhos, ouvindo e aconselhando sua irmã (Adriana Esteves), e ainda por cima se arranjando diante das decisões inconstantes de seu marido (Otávio Müller). O enredo funciona bem ao desenvolver o drama vivido por Irene envolta da correria e da quantidade de problemas que a personagem tenta resolver. Outro acerto é a inclusão de alívios cômicos, principalmente nas cenas entre as crianças. Mas é Karine Teles quem realmente se mostra o verdadeiro troféu de Benzinho. A atriz alcança os níveis mais desesperadores de qualquer mãe e, ao mesmo tempo, mantém a naturalidade necessária para sua personagem. Contudo, a maioria dos outros personagens não possuem tanto destaque, com exceção do filho mais velho, Fernando (Konstantinos Sarris). As notáveis interpretações dos atores compensam o pouco tempo em cena, como é o caso de César Troncoso como um cunhado explosivo, e até Mateus Solano como um técnico rancoroso que não aparece em mais de duas cenas. O filme não é isento de complicações. Adriana Esteves, além de não impressionar, protagoniza um arco dramático que se prorroga durante o segundo ato e não agrega à história principal. Ele representa a intenção do roteiro de Gustavo Pizzi (também diretor) e Karine Teles de incrementar tristes situações vividas pelas mulheres. Embora não deixe de ser um reflexo verdadeiro e lamentável, o pequeno recorte do marido autoritário não prende a atenção do espectador - além de ser deixado de lado ao final do terceiro ato. As fugas do roteiro não param por aí. Outra opção da direção que limitam o envolvimento do público é a longa duração de algumas cenas que pouco fazem diferença. É o caso da cena em que Irene dança ouvindo uma música que Fernando adorava, numa tentativa de chamar a atenção do filho. A cena é interessante no ponto de vista de uma mãe querendo se reaproximar de seu filho, seja por saudade ou com intenção de fazê-lo ficar, mas além de usar um espaço de tempo relativamente grande, ela é apresentada num contexto humorístico que não se encaixa com a proposta. Se algumas subtramas e cenas agem como potenciais empecilhos frente à história principal, por outro lado temos atrativos que superam quaisquer barreiras e fazem de Benzinho mais um ótimo filme nacional. O universo criado por Gustavo Pizzi se torna algo único e crível. Os sons dos carros e ruídos…

Benzinho

Direção
Roteiro
Elenco
Direção de Arte
Fotografia
Trilha Sonora
Montagem

Ótimo

71