Crítica: Exorcismos e Demônios | Cinematecando

Posted On 20/04/2018 By In Críticas - Lançamentos, Filmes

Crítica: Exorcismos e Demônios

Premissa previsível, protagonista fraca e excesso de clichês baratos fazem do filme uma das piores abordagens sobre exorcismo já vista

Convenhamos que após os clássicos O Exorcista (1973) e A Morte do Demônio (1981) poucos filmes de possessão demoníaca empolgaram tanto os cinéfilos. Ainda que filmes como O Exorcismo de Emily Rose (2005) ou mesmo Possessão (2012) não agrade todos os públicos, é preciso reconhecer que há uma pequena tensão gradativa que se constrói pelos elementos de suspense e terror presentes no roteiro, e que, apesar dos jump scares, conseguem deixar o espectador inquieto. Já Exorcismos e Demônios cai no mesmo poço de infelizes obras como Exorcistas do Vaticano (2015), que tentam desesperadamente impressionar o espectador com acontecimentos paranormais forçados e se perdem em escancarados furos de roteiro. A verdade é que dificilmente presenciamos uma produção tão envolvente como A Possessão de Deborah Logan (2014) para satisfazer nossas necessidades de medo e cenas angustiantes.

O filme se inicia quando um padre é sentenciado à prisão após a morte de uma freira em que praticou um exorcismo. Após isso, uma jornalista investigativa se esforça para desvendar se ele de fato assassinou uma pessoa mentalmente doente ou apenas perdeu a batalha contra uma presença demoníaca.

Em Exorcismos e Demônios (ênfase para a deprimente tradução do título de The Crucifixion), desde o começo o público já sabe o que esperar da história. A protagonista é mal construída e, sem motivações convincentes, se mostra extremamente incapaz de cativar o espectador, principalmente com a pobre atuação de Sophie Cookson. Os personagens secundários, juntamente com seus respectivos atores, apenas constrangem e evidenciam mais a falta de carinho com o desenvolvimento dos personagens e com a direção de atores.

Vale lembrar da presença dos jump scares neste filme. Da maneira mais pífia possível e sem sentido algum, a obra reproduz os modelos desanimadores dos filmes de terror genéricos que já cansamos de assistir. O jump scare deveria ser somente um aumento proposital de um som que acontece em uma cena, apenas para enfatizar o susto no espectador. Porém aqui (assim como em vários outros filmes) os sustos não se justificam, pois o barulho alto (jump scare) na maioria das vezes não é nem emitido aos ouvidos da protagonista, que apenas olha para o lado e se depara com um garoto com as mãos apoiadas sobre a janela no lado de fora.

Essa preguiça de roteiro e efeitos sonoros é desgastante e afasta o espectador da proposta de se sentir desconfortável, tenso e com o verdadeiro medo do desconhecido (o que de melhor os filmes de terror podem oferecer). Tudo é abdicado em prol de um susto banal que dura um segundo. Essa escolha de tratamento só prejudicam a sétima arte e sua belíssima tradição de filmes de horror. Embora notemos o aumento das tecnologias e das possibilidades de se fazer cinema, afirmo que o terror está caminhando cada vez mais para um buraco profundo de desgosto, ambição por mera bilheteria e ausência da elaboração da atmosfera/clima. É tudo feito de maneira displicente e mais simplista possível, o que pessoalmente me entristece.

Além da incompetência da história e da direção em transmitir medo e tensão (proposta do próprio gênero), das péssimas interpretações e dos efeitos sonoros enfadonhos, há também uma montagem confusa que não permite que o espectador possa consumir o todo o conteúdo oferecido por um plano, cortando rápido demais para que possamos absorver determinado elemento. Na obra, salvam-se a direção de arte, que cumpre com a função de caracterizar o espaço da vila, e a direção de fotografia, que impressiona hora ou outra com enquadramentos simétricos, movimentos de câmera dinâmicos e uma iluminação pontual.

É por essas e outras que Exorcismos e Demônios, assim como o terrível 7 Desejos (2017), traz à tona o pior que o cinema de terror tem a ofertar, com uma bagunça sem tamanho de problemas temáticos e técnicos sem solução, além de uma história desinteressante.

FICHA TÉCNICA
Direção:
Xavier Gens
Roteiro: Chad Hayes, Carey W. Hayes
Elenco: Sophie Cookson, Brittany Ashworth, Corneliu Ulici, Ada Lupu
Produção: Leon Clarance, Peter Safran
Fotografia: Daniel Aranyó
Música: David Julyan
Montagem: Adam Trotman
Gênero:
Terror / Suspense
Duração: 90 min.

Premissa previsível, protagonista fraca e excesso de clichês baratos fazem do filme uma das piores abordagens sobre exorcismo já vista Convenhamos que após os clássicos O Exorcista (1973) e A Morte do Demônio (1981) poucos filmes de possessão demoníaca empolgaram tanto os cinéfilos. Ainda que filmes como O Exorcismo de Emily Rose (2005) ou mesmo Possessão (2012) não agrade todos os públicos, é preciso reconhecer que há uma pequena tensão gradativa que se constrói pelos elementos de suspense e terror presentes no roteiro, e que, apesar dos jump scares, conseguem deixar o espectador inquieto. Já Exorcismos e Demônios cai no mesmo poço de infelizes obras como Exorcistas do Vaticano (2015), que tentam desesperadamente impressionar o espectador com acontecimentos paranormais forçados e se perdem em escancarados furos de roteiro. A verdade é que dificilmente presenciamos uma produção tão envolvente como A Possessão de Deborah Logan (2014) para satisfazer nossas necessidades de medo e cenas angustiantes. O filme se inicia quando um padre é sentenciado à prisão após a morte de uma freira em que praticou um exorcismo. Após isso, uma jornalista investigativa se esforça para desvendar se ele de fato assassinou uma pessoa mentalmente doente ou apenas perdeu a batalha contra uma presença demoníaca. Em Exorcismos e Demônios (ênfase para a deprimente tradução do título de The Crucifixion), desde o começo o público já sabe o que esperar da história. A protagonista é mal construída e, sem motivações convincentes, se mostra extremamente incapaz de cativar o espectador, principalmente com a pobre atuação de Sophie Cookson. Os personagens secundários, juntamente com seus respectivos atores, apenas constrangem e evidenciam mais a falta de carinho com o desenvolvimento dos personagens e com a direção de atores. Vale lembrar da presença dos jump scares neste filme. Da maneira mais pífia possível e sem sentido algum, a obra reproduz os modelos desanimadores dos filmes de terror genéricos que já cansamos de assistir. O jump scare deveria ser somente um aumento proposital de um som que acontece em uma cena, apenas para enfatizar o susto no espectador. Porém aqui (assim como em vários outros filmes) os sustos não se justificam, pois o barulho alto (jump scare) na maioria das vezes não é nem emitido aos ouvidos da protagonista, que apenas olha para o lado e se depara com um garoto com as mãos apoiadas sobre a janela no lado de fora. Essa preguiça de roteiro e efeitos sonoros é desgastante e afasta o espectador da proposta de se sentir desconfortável, tenso e com o verdadeiro medo do desconhecido (o que de melhor os filmes de terror podem oferecer). Tudo é abdicado em prol de um susto banal que dura um segundo. Essa escolha de tratamento só prejudicam a sétima arte e sua belíssima tradição de filmes de horror. Embora notemos o aumento das tecnologias e das possibilidades de se fazer cinema, afirmo que o terror está caminhando cada vez mais para um buraco profundo de desgosto, ambição por mera bilheteria e ausência da elaboração da atmosfera/clima. É…

Exorcismos e Demônios

Direção
Roteiro
Elenco
Fotografia
Montagem
Arte
Trilha Sonora

Regular

41