Crítica: It - A Coisa | Cinematecando

Posted On 06/09/2017 By In Críticas - Lançamentos

Crítica: It – A Coisa

Nem mesmo o terror é o que parece ser…

Terror não é um gênero tão simples e direto quando se parece. Certas vezes, o terror não se torna algo resumido a sustos fáceis e visuais apavorantes. Na verdade, assustar vai muito além disso. Além de casas mal assombradas, fantasmas ou serial killers. Às vezes, o que mais dá medo é o fato de pensarmos demais no que determinada história transparece nos mínimos detalhes. E é por aí, pensando e pensando, que percebemos que o terror é muito mais poderoso do que podemos imaginar.

Stephen King entende isso como ninguém e consegue dominar o talento de contar histórias aterrorizantes e que marcam nosso psicológico. O Iluminado até hoje é uma das histórias mais conhecidas do escritor, mas nenhuma, sem sombra de dúvida, consegue chegar aos pés de It, a maior obra de sua carreira. Sob a fina camada em que se encontra Pennywise, o palhaço diabólico, se encontram muitas outras. Densas e impactantes, as histórias dentro do grande arco são os elementos que mais se destacam – tanto no livro quanto no filme.

O medo, contudo, não é bem o verdadeiro foco da história. Quem leu o livro já sabe muito bem disso, e quem assistir ao filme vai se surpreender bastante. A amizade, como já muito abordada em histórias de King, é um tema importante e faz toda a diferença em It. Centrando-se na vida de sete crianças de Derry (Bill, Ben, Richie, Bevvie, Eddie, Mike e Stan), a história que começa a partir da perda de George, irmão caçula de Bill, toma forma e movimenta todo o enredo. Afinal, não é a presença de Pennywise que os assusta, mas sim a criação de um grupo (o Losers’ Club) que os fazem enxergar que a força é garantida de maneiras inusitadas.

Mas como adaptar mais de mil páginas em um filme de duas horas? Claro que o fato de dividirem os dois grandes capítulos da história (o que se passa em 1958 e o segundo, em 1985) já ajuda muito na questão de desenvolver a atmosfera, os personagens e, principalmente, a cidadezinha fictícia chamada Derry; mas isso não quer dizer tudo, pois tempo de mais não importa quando se tem qualidade de menos. Porém, fico muito feliz em dizer que, em It – A Coisa, vemos totalmente o contrário: mesmo com pouco mais de 2h de duração, no fim da sessão a vontade é de passarmos ainda mais tempo dentro da história. Intrigante e intenso, o filme prende desde o primeiro momento.

Assim como no livro, tudo é costurado de maneira fluida no filme de Andy Muschietti, muito bem dirigido e bem montado, por sinal. Com diversas cenas sangrentas e que fazem jus à violência retratada na obra, parece que estamos lendo o livro de King ou vendo o que está dentro de nossa própria imaginação, pois tudo é crível e semelhante à obra. It – A Coisa projeta toda a alma daquele universo em suas cenas – principalmente por utilizar bem o fator do medo, que é materializado a partir do que as crianças pensam. Ou seja: o medo delas acaba se tornando o nosso também. É quase mágico e, por incrível que pareça, tudo acaba sendo muito emocionante graças à simpatia de cada um dos atores mirins, que dominaram seus personagens de maneira fantástica.

Além dos atores mirins, quem rouba a cena definitivamente é Bill Skarsgård na pele do palhaço mais macabro que você verá em tempos. Sim, ele consegue ser mais macabro que a versão de Tim Curry! É interessante notar os detalhes em seus trejeitos e expressões, dando ainda mais força a seu antagonista e tornando-o mais ameaçador do que já é naturalmente. Cínico e tão direto que chega a realmente assustar, ele sempre mostra a que veio e quais são seus objetivos. Ah, e já sinto cheiro de pelo menos uma indicação ao Oscar por Melhor Maquiagem…

Diferente de alguns filmes que possuem em seu roteiro a união repentina de personagens para irem contra algo maligno, aqui não vemos absolutamente nenhuma situação forçada para que as sete crianças se conheçam e se identifiquem umas com as outras. Com cada um dos protagonistas é possível analisar questões como bullying, obesidade, racismo, violência contra a mulher e, principalmente, dramas familiares. Tudo acaba se conciliando a favor da missão contra Pennywise. Logicamente, algumas cenas ficaram de fora do corte final (inclusive aquela parte polêmica do livro), mas nada que diminua seu peso ou prejudique o desenvolvimento.

It – A Coisa transita entre a força da amizade, os dramas da vida real e a importância da coragem. Foi muito gratificante ver que o filme conseguiu passar a mesma mensagem do livro, deixando claro que, acima do horror, existe o amor. Na essência, é bem isso que Stephen King quis passar.

Nem mesmo o terror é o que parece ser... Terror não é um gênero tão simples e direto quando se parece. Certas vezes, o terror não se torna algo resumido a sustos fáceis e visuais apavorantes. Na verdade, assustar vai muito além disso. Além de casas mal assombradas, fantasmas ou serial killers. Às vezes, o que mais dá medo é o fato de pensarmos demais no que determinada história transparece nos mínimos detalhes. E é por aí, pensando e pensando, que percebemos que o terror é muito mais poderoso do que podemos imaginar. Stephen King entende isso como ninguém e consegue dominar o talento de contar histórias aterrorizantes e que marcam nosso psicológico. O Iluminado até hoje é uma das histórias mais conhecidas do escritor, mas nenhuma, sem sombra de dúvida, consegue chegar aos pés de It, a maior obra de sua carreira. Sob a fina camada em que se encontra Pennywise, o palhaço diabólico, se encontram muitas outras. Densas e impactantes, as histórias dentro do grande arco são os elementos que mais se destacam - tanto no livro quanto no filme. O medo, contudo, não é bem o verdadeiro foco da história. Quem leu o livro já sabe muito bem disso, e quem assistir ao filme vai se surpreender bastante. A amizade, como já muito abordada em histórias de King, é um tema importante e faz toda a diferença em It. Centrando-se na vida de sete crianças de Derry (Bill, Ben, Richie, Bevvie, Eddie, Mike e Stan), a história que começa a partir da perda de George, irmão caçula de Bill, toma forma e movimenta todo o enredo. Afinal, não é a presença de Pennywise que os assusta, mas sim a criação de um grupo (o Losers' Club) que os fazem enxergar que a força é garantida de maneiras inusitadas. Mas como adaptar mais de mil páginas em um filme de duas horas? Claro que o fato de dividirem os dois grandes capítulos da história (o que se passa em 1958 e o segundo, em 1985) já ajuda muito na questão de desenvolver a atmosfera, os personagens e, principalmente, a cidadezinha fictícia chamada Derry; mas isso não quer dizer tudo, pois tempo de mais não importa quando se tem qualidade de menos. Porém, fico muito feliz em dizer que, em It - A Coisa, vemos totalmente o contrário: mesmo com pouco mais de 2h de duração, no fim da sessão a vontade é de passarmos ainda mais tempo dentro da história. Intrigante e intenso, o filme prende desde o primeiro momento. Assim como no livro, tudo é costurado de maneira fluida no filme de Andy Muschietti, muito bem dirigido e bem montado, por sinal. Com diversas cenas sangrentas e que fazem jus à violência retratada na obra, parece que estamos lendo o livro de King ou vendo o que está dentro de nossa própria imaginação, pois tudo é crível e semelhante à obra. It - A Coisa projeta toda a alma daquele universo em suas cenas - principalmente por utilizar bem o fator…

It - A Coisa

Direção
Roteiro
Elenco
Fotografia
Montagem
Arte

Excelente

100

Jornalista especializada em cinema. Fundadora e editora-chefe do Cinematecando. Foi assessora de imprensa na 41ª edição da Mostra Internacional de Cinema e hoje é redatora e repórter do portal AdoroCinema.