A importância dos filmes Coming Of Age | Cinematecando

Posted On 27/02/2018 By In Artigos, Filmes

A importância dos filmes Coming Of Age

Aproveitando o clima de Lady Bird e o artigo 10 filmes Coming of Age, queria contar um pouco sobre como esses filmes são essenciais para o crescimento e para a transição da fase adolescente para a adulta (ou, no meu caso, como foi essencial há um tempo).

Finalmente assisti ao filme Me Chame Pelo Seu Nome e (suspiros): que filme! Ele não foge do gênero, pois está ali para mostrar o amadurecimento de Elio (Thimothee Chalamet), sua transição de um menino de 17 para 18 anos, a vivência de seu primeiro amor e a de deixar o amor ir quando precisa. Confesso que o fato de eu ter me apaixonado pelo filme foi por ele ter fugido da fórmula, sem antagonista, sem jornada do herói… É simplesmente vivenciar aquele momento, o ponto de vista de Elio e seu amor por Oliver (Armie Hammer).

De qualquer modo, este também nos ensina de forma crua o que é crescer, como todos os filmes que atingem seu público-alvo, sempre com uma mensagem: seja por trás do professor que ensinou dentro de uma sala de aula que devíamos viver o dia – Carpe Diem – em A Sociedade dos Poetas Mortos; ou com John Hughes e seu Clube dos Cinco, que ensinou a grande lição de que por trás de uma pessoa existe toda uma história desconhecida, e que para haver alguma conexão humana real, precisamos nos despir dos pré-conceitos. Assim como Charlie nos ensinou que somos infinitos em As Vantagens de Ser Invisível, e Hanna Baker, em 13 Reasons Why, provou que se apenas escutássemos uns aos outros, vidas podem ser salvas. Todas essas histórias transcendem a barreira do tempo e cativam não só o público alvo delas, acabando, por muitas vezes, se tornando clássicos.

Passamos a vida inteira ouvindo que a próxima fase vai ser a melhor. Quando somos crianças, ouvimos que o melhor é adolescência. Não é. Quando estamos na adolescência ouvimos que a vida adulta vai ser melhor – não é. Na vida adulta, dizem que a terceira idade vai ser melhor. Não é. E depois disso, vem o inevitável fim. Passamos a vida acreditando que o depois será melhor e perdemos o agora. O maravilhoso agora. Essas histórias nos lembram, mesmo que por duas horas, o por que de estarmos aqui, trazendo o real motivo: nós sempre queremos nos encontrar, independente da idade. Essas obras citadas nos mostram que relacionamentos (sejam familiares, amizades, amorosos, no seu trabalho) não são fáceis. Lidar com pessoas não é fácil. E nem por isso devemos desistir.

Eis o por quê destes filmes serem tão importantes: eles nos fazem enxergar a luz no fim do túnel para sairmos mais leves e vivos. E isso importa. Muito.

Gostaria de agradecer ao Cesar Gaglioni, que redigiu o texto comigo e que muitas vezes me ajudou a sair do buraco.