43ª Mostra - Crítica: Mr. Jimmy | Cinematecando

Posted On 21/10/2019 By In Críticas - Lançamentos, Filmes

43ª Mostra – Crítica: Mr. Jimmy

Nos mínimos detalhes

Para a maioria dos fãs, ter a oportunidade de encontrar seu ídolo é o ápice da relação. Não é o caso de Akio Sakurai, que dedicou boa parte da vida a emular cada movimento de Jimmy Page, icônico guitarrista do Led Zeppelin e um dos maiores guitarristas da história do rock. Para Sakurai, ter sido aprovado como um respeitável imitador pelo próprio músico não é o suficiente. Ele quer ser o próprio Page.

O documentário Mr. Jimmy é o retrato dessa obsessão. Sakurai conta sobre o impacto de ter visto o lendário filme-concerto The Song Remains The Same no cinema no final dos anos 70, ainda jovem. Foi desde então que passou a gastar tempo e dinheiro em instrumentos, amplificadores e figurinos, tudo meticulosamente pensado para captar com precisão a sonoridade e presença de Page.

Quem conhece a banda sabe o quanto é difícil imitá-la. O Led Zeppelin ficou famoso por mudar os arranjos a cada show, muitas vezes transformando canções em jam sessions que continham longos solos, totalmente diferentes das versões gravadas em estúdio. O protagonista sabe de cor e salteado cada variação, e é capaz de demonstrá-la com o instrumento. É algo de fato fascinante, mas que se revela uma dor de cabeça quando Sakurai passa a integrar bandas covers do Led. Seu grau de exigência testa a paciência dos colegas de palco, céticos de que o público geral vai reparar em tantas nuances.

Em certo sentido, o filme padece do mesmo mal de seu personagem central. A vontade de se explicar cada coisa nos mínimos detalhes é tanta, que a narrativa em alguns momentos torna-se redundante, com depoimentos e imagens que muitas vezes se repetem.

Já conceitos que poderiam render desdobramentos interessantes são apresentados apenas de passagem, como a frase do empresário que compara a versão japonesa da Disneylândia com a experiência de se assistir à banda de Sakurai: “As pessoas sabem que tudo isso é falso, mas não se importam”.

O que está por trás dessa vontade, tanto do público que consome os covers quanto do próprio Sakurai? O diretor Peter Michael Dowd não parece interessado nessa investigação. Fica claro que Dowd acompanhou seu personagem por anos a fio, e talvez tenha faltado distanciamento para fazer contrapontos que poderiam gerar mais conflito à narrativa.

Ainda assim, Mr. Jimmy tem bons momentos e uma ótima trilha sonora, não apenas com as músicas do Led Zeppelin, mas também do blues norte-americano, que sugerem que até mesmo Jimmy Page se inspirou em alguém para chegar onde chegou.

Nos mínimos detalhes Para a maioria dos fãs, ter a oportunidade de encontrar seu ídolo é o ápice da relação. Não é o caso de Akio Sakurai, que dedicou boa parte da vida a emular cada movimento de Jimmy Page, icônico guitarrista do Led Zeppelin e um dos maiores guitarristas da história do rock. Para Sakurai, ter sido aprovado como um respeitável imitador pelo próprio músico não é o suficiente. Ele quer ser o próprio Page. O documentário Mr. Jimmy é o retrato dessa obsessão. Sakurai conta sobre o impacto de ter visto o lendário filme-concerto The Song Remains The Same no cinema no final dos anos 70, ainda jovem. Foi desde então que passou a gastar tempo e dinheiro em instrumentos, amplificadores e figurinos, tudo meticulosamente pensado para captar com precisão a sonoridade e presença de Page. Quem conhece a banda sabe o quanto é difícil imitá-la. O Led Zeppelin ficou famoso por mudar os arranjos a cada show, muitas vezes transformando canções em jam sessions que continham longos solos, totalmente diferentes das versões gravadas em estúdio. O protagonista sabe de cor e salteado cada variação, e é capaz de demonstrá-la com o instrumento. É algo de fato fascinante, mas que se revela uma dor de cabeça quando Sakurai passa a integrar bandas covers do Led. Seu grau de exigência testa a paciência dos colegas de palco, céticos de que o público geral vai reparar em tantas nuances. Em certo sentido, o filme padece do mesmo mal de seu personagem central. A vontade de se explicar cada coisa nos mínimos detalhes é tanta, que a narrativa em alguns momentos torna-se redundante, com depoimentos e imagens que muitas vezes se repetem. Já conceitos que poderiam render desdobramentos interessantes são apresentados apenas de passagem, como a frase do empresário que compara a versão japonesa da Disneylândia com a experiência de se assistir à banda de Sakurai: "As pessoas sabem que tudo isso é falso, mas não se importam". O que está por trás dessa vontade, tanto do público que consome os covers quanto do próprio Sakurai? O diretor Peter Michael Dowd não parece interessado nessa investigação. Fica claro que Dowd acompanhou seu personagem por anos a fio, e talvez tenha faltado distanciamento para fazer contrapontos que poderiam gerar mais conflito à narrativa. Ainda assim, Mr. Jimmy tem bons momentos e uma ótima trilha sonora, não apenas com as músicas do Led Zeppelin, mas também do blues norte-americano, que sugerem que até mesmo Jimmy Page se inspirou em alguém para chegar onde chegou.

Mr. Jimmy

Cotação

Bom

Documentário reproduz obsessão do protagonista com detalhes, mas chega perto do limite da redundância

60

Jornalista especializada em cinema. Fundadora e editora-chefe do Cinematecando. Foi assessora de imprensa na 41ª edição da Mostra Internacional de Cinema e hoje é redatora e repórter do portal AdoroCinema.