Crítica: Para Todos os Garotos que Já Amei | Cinematecando

Posted On 18/08/2018 By In Cine Netflix, Filmes

Crítica: Para Todos os Garotos que Já Amei

Embalada em formato convencional, comédia simboliza triunfo dos introvertidos

Imagem do filme 'Para Todos os Garotos que Já Amei'

Comédias românticas adolescentes normalmente tratam de jovens deslocados – frequentemente vítimas de bullying por parte da turma dos populares de seu colégio – que acabam dando a volta por cima e ganhando a aprovação de quem até então os desprezava. No caso de Para Todos os Garotos que Já Amei, filme original da Netflix, não há ninguém que faça mais a protagonista Lara Jean (Lana Condor) se sentir um patinho feio do que ela mesma.

De tão introvertida, a menina tem o costume de escrever cartas aos garotos por quem se apaixona, mas nunca enviá-las. Ela é perita também em imaginar situações românticas e nunca vivê-las de fato na vida real, e não é mera coincidência que seu primeiro namoro seja apenas um jogo de aparências. Fechada em seu casulo e vivendo à sombra da irmã mais velha, Lara vai aprender que não dá para se esconder para sempre.

Quando tais cartas são postadas e chegam aos destinatários, é como se seus sentimentos fossem expostos pela primeira vez: de forma desajeitada, com resultados confusos, mas um ato que pode ser recompensador.

Como se vê, a trama do filme tinha elementos capazes de o diferenciar de outros exemplares do gênero. Porém, a condução da diretora Susan Johnson pouco foge ao convencional.

Visualmente, o longa é igual a tantos outros que se passam no mesmo ambiente. Planos protocolares de quartos juvenis, corredores escolares, festas e a lanchonete da região. Falta uma personalidade própria que faça a história de Lara Jean ser mais marcante, assim como certo vigor aos diálogos. Não há a mordacidade de Quase 18, por exemplo, ou o despojamento de tratar questões acerca da sexualidade de forma natural, como Com Amor, Simon ou o nacional Ana e Vitória.

Talvez essa falta de uma preocupação conceitual ou cuidado estético seja consequência do modelo Netflix, que despeja rapidamente títulos em seu catálogo sem se importar em dar tempo para maturação e lapidação de projetos. É uma linha de produção audiovisual em massa, pura e simplesmente, mesmo que para a engrenagem funcionar seja mais fácil reciclar fórmulas antigas.

Em Para Todos os Garotos que Já Amei, por exemplo, a ideia das cartas, tão importantes para a premissa, é estranhamente esquecida depois de vinte minutos. Abre-se espaço para um previsível romance entre a protagonista e um de seus antigos “crushes”, o que traz ao enredo uma incômoda sensação de dejá vu.

O longa cresce perto do final, quando fica mais claro o amadurecimento de Lara Jean. Brilha então o carisma de Lana, atriz até então famosa apenas por ser a mutante Jubileu em X-Men: Apocalipse, que mostra muita desenvoltura em seu primeiro papel principal. Mesmo assim, o desfecho convencional acaba dando razão a quem for taxar a comédia de “fofinha e só”,

Embalada em formato convencional, comédia simboliza triunfo dos introvertidos Comédias românticas adolescentes normalmente tratam de jovens deslocados - frequentemente vítimas de bullying por parte da turma dos populares de seu colégio - que acabam dando a volta por cima e ganhando a aprovação de quem até então os desprezava. No caso de Para Todos os Garotos que Já Amei, filme original da Netflix, não há ninguém que faça mais a protagonista Lara Jean (Lana Condor) se sentir um patinho feio do que ela mesma. De tão introvertida, a menina tem o costume de escrever cartas aos garotos por quem se apaixona, mas nunca enviá-las. Ela é perita também em imaginar situações românticas e nunca vivê-las de fato na vida real, e não é mera coincidência que seu primeiro namoro seja apenas um jogo de aparências. Fechada em seu casulo e vivendo à sombra da irmã mais velha, Lara vai aprender que não dá para se esconder para sempre. Quando tais cartas são postadas e chegam aos destinatários, é como se seus sentimentos fossem expostos pela primeira vez: de forma desajeitada, com resultados confusos, mas um ato que pode ser recompensador. Como se vê, a trama do filme tinha elementos capazes de o diferenciar de outros exemplares do gênero. Porém, a condução da diretora Susan Johnson pouco foge ao convencional. Visualmente, o longa é igual a tantos outros que se passam no mesmo ambiente. Planos protocolares de quartos juvenis, corredores escolares, festas e a lanchonete da região. Falta uma personalidade própria que faça a história de Lara Jean ser mais marcante, assim como certo vigor aos diálogos. Não há a mordacidade de Quase 18, por exemplo, ou o despojamento de tratar questões acerca da sexualidade de forma natural, como Com Amor, Simon ou o nacional Ana e Vitória. Talvez essa falta de uma preocupação conceitual ou cuidado estético seja consequência do modelo Netflix, que despeja rapidamente títulos em seu catálogo sem se importar em dar tempo para maturação e lapidação de projetos. É uma linha de produção audiovisual em massa, pura e simplesmente, mesmo que para a engrenagem funcionar seja mais fácil reciclar fórmulas antigas. Em Para Todos os Garotos que Já Amei, por exemplo, a ideia das cartas, tão importantes para a premissa, é estranhamente esquecida depois de vinte minutos. Abre-se espaço para um previsível romance entre a protagonista e um de seus antigos “crushes”, o que traz ao enredo uma incômoda sensação de dejá vu. O longa cresce perto do final, quando fica mais claro o amadurecimento de Lara Jean. Brilha então o carisma de Lana, atriz até então famosa apenas por ser a mutante Jubileu em X-Men: Apocalipse, que mostra muita desenvoltura em seu primeiro papel principal. Mesmo assim, o desfecho convencional acaba dando razão a quem for taxar a comédia de “fofinha e só”,

Para Todos os Garotos que Já Amei

Direção
Roteiro
Elenco

Regular

47

Crítico de cinema, roteirista e diretor. Pós-graduado em Jornalismo Cultural. Além do Cinematecando, é colunista do Yahoo! Brasil